
A quantos quilômetros estamos de amanhecer?
A quantas horas estamos de atravessar a última avenida a caminho de casa?
nessas alturas da madrugada
...melhor esquecer...
nessas alturas,
melhor nem olhar pra baixo
feche os olhos e abra os braços
sem a menor noção de tempo e espaço
coração descontrolado, peito apertado
a espera de um vento, de um norte, um telefonema, um acaso
ou pelo menos de um abraço
para fingir que tudo terminará bem
procurando o que sobrou da noite entre os prédios em construção
e as pessoas com seus head-phones
...sem entender...
porque os espaços mudam tanto, mas a gente não
em eterna desconstrução,
seguimos os mesmos passos
pelo mesmo caminho de sempre...com a cansativa sensação de estar perdido
de não ter destino,de estar atrasado.
(o futuro partindo em pedaços de tempo e de espaço)
E se o que tinha que acontecer, já aconteceu e nós nem percebemos?
O que faremos então?
sentados no sofá da sala, olhando pra si mesmo na tela da TV desligada
eliminando possibilidades, apagando mensagens,
deletando pessoas da agenda do celular
e até lembranças do olhar.
...
A quantas palavras estamos de amanhecer?
A quantas horas estamos de distância?
nessas alturas da vida
...melhor esquecer...
nessas alturas,
melhor nem olhar pra baixo.
procurando o que sobrou do céu entre os prédios em construção
e as pessoas com suas câmeras fotográficas
...sem entender...
porque o tempo muda tanto, mas a gente não
na descontrolada razão
repetindo os mesmos erros
pelos mesmos motivos de sempre...com a sensação de estar inerte
de não ter mais planos,de estar sufocado
(o futuro partindo em balões no tempo e no espaço)
E se o que tinha que acontecer, já aconteceu e nós nem percebemos?
O que faremos então?
Dois velhos invisíveis no sofá da sala, olhando pra si mesmo na tela da TV desligada
eliminando possibilidades, apagando mensagens,
deletando dias no calendário do celular
e até lembranças do olhar
...e até aquele olhar da lembrança...
(texto de Fred Figueiroa; outubro de 2009)
